quinta-feira, julho 27, 2017

"Lei da rolha" chega aos bombeiros - 3ª parte

Na actual conjuntura, tudo o que aparente alguma falta de transparência ou clareza, e o controle de informação, independentemente das motivações ou enquadramento, dificilmente não se enquadrarão nestas permissas, serão profundamente contraproducentes, sendo difícil de apurar quais os reais efeitos, dada a subjectividade do impacto e respectivos danos colaterais.

Se algum tipo de consequências forem imputadas ao controle de informação determinado pela ANPC, seja de forma directa, seja indirecta, seja mesmo por extrapolação ou até por conjectura, então o problema será muito mais grave, e afectarão directamente todo o esforço de combate, minando o esforço de quantos estão envolvidos e, sobretudo, das populações, de cuja confiança no dispositivo, depende em muito a própria segurança e tranquilidade.

Infelizmente, desta ordem, designada por "orientação imperativa", resulta tão somente uma tentativa de controle de informação, escondendo ou distorcendo tudo o que seja considerado como inconveniente, e vai levantar mais problemas do que aqueles que resolve, sendo intuível que rumores, notícias não confirmadas ou fontes não oficiais vão surgir, dando origem a um manancial de especulações que facilmente alastrarão, prejudicando desde os envolvidos nas operações aos responsáveis da ANPC.

Não temos grandes dúvidas que, por um lado, se abriu a porta a uma forma de censura, ou exame prévio, na verdadeira acepção da palavra e no próprio conceito subjacente, e, por outro, ao boato, ao rumor e à especulação, que surge com maior intensidade e perigo quando a genuina informação é difícil de obter com a rapidez necessária nos dia de hoje, e esta se vê substituída por uma realidade alternativa.

quarta-feira, julho 26, 2017

Número 43 da revista Land Portugal chegou às bancas

Já se encontra à venda nos locais de venda, incluindo-se nestes as lojas da Galp, o nº 43 da revista "Land Portugal", com o destaque a ir para as aventuras vividas por dois portugueses no Zaire em 1983, no tempo em que os Serie era o modelo da Land Rover utilizado pelos expedicionários.

Os passeios em Portugal merecem igualmente destaque, com reportagens dos encontros Transalentejo, dos Landmaniacos de Leiria, do III Encontro dos Landmaniacos de Viana do Castelo, do Emotions 2017, do Veteranos dos Landmaniacos de Almada, bem como da IV Tertúlia Range Rover ou o Rates Billing 2017.

Uma reportagem sobre a "Dunsfold Collection", um artigo sobre a segurança durante a prática do todo o terreno e outro sobre a legislação referente aos "drones", que servirá de referência dado que está novamente em alteração, ou um "road book" para a zona da Figueira da Foz, são igualmente incluídos neste número.

Tal como em números anteriores, a "Land Portugal" tem um especial ênfase nos enventos realizados em Portugal, onde tem um papel único ao divulgar estas actividades e partilhá-las entre os adeptos da marca, que assim os revivem ou reencontram um conjunto de amigos com os quais nem sempre é mantido um contacto tão contínuo quanto desejável e assim são reencontrados nesta publicação.

terça-feira, julho 25, 2017

"Lei da rolha" chega aos bombeiros - 2ª parte

Esta "lei da rolha" para utilizar uma expressão muito usada para designar esta ordem, transmitida aos comandantes regionais por correio electrónico, tem como justificação a necessidade de estes se concentrarem no comando das operações, sem perderem tempo precioso com a comunicação, para a qual, manifestamente, nem todos estarão vocacionados ou preparados.

A recente mudança de diversos comandantes regionais por quem não frequentou as acções de formação na área da comunicação e prestou declarações que, na óptica do poder político, seja directo, seja pela sua extensão na ANPC, foram consideradas inoportunas, como as que comprometem o desempenho do SIRESP, mas também as que revelam problemas de coordenação ou de meios, estará na origem desta opção pelo controle da informação.

Numa altura em que a confiança no sistema de socorro e no dispositivo de combate aos incêndios se encontra fortemente afectado, uma ordem que tem como efeito a percepção de ocultação e diminuição da transparência, só pode ser prejudicial para quem combate as chamas e, consequentemente, para as populações que se visa proteger e que esta decisão vem colocar num risco acrescido.

As declarações do comandante dos voluntários de Gouveia no passado dia 19, depois dos incêndios que atingiram o concelho e alastraram para o de Fornos de Algodres, demonstra não apenas a contestação existente, mas a necessidade de manter as populações informadas, como forma de as alertar, de promover acções de auto defesa e, no limite, de as preparar para abandonar zonas em risco, algo que tem sido feito com frequência através da comunicação social.

segunda-feira, julho 24, 2017

Governo desresponsabiliza o SIRESP - 6ª parte

Objectivamente, não conhecemos nenhum utilizador particular que aceitasse utilizar um equipamento de comunicações que não permitisse o uso de dados, bem como o conjunto de funcionalidades e interacções daí resultantes, prescindindo assim das vantagens que, pela sua disseminação, são hoje em dia consideradas como essenciais e, em casos de emergência, como podendo decidir entre a vida e a morte.

No entanto, enquanto utilizadores do SIRESP, esta resignação parece ser comummente aceite, privados de um conjunto de funcionalidades que podem salvar vidas em caso de perigo, como o recurso a uma videochamada, o envio de um mapa digital e de uma rota de fuga ou imagens e diagramas capazes de ilustrar situações complexas, para citar apenas alguns exemplos particularmente evidentes.

Portanto, tal como consta de reflexões anteriores, temos que equacionar se, independentemente da fiabilidade, as funcionalidades do SIRESP justificam investir numa plataforma que fica muito aquém do que exigimos no dia a dia e para as situações mais comuns, longe de emergências ou dos perigos de um teatro de operações, onde cada detalhe assume uma importância incalculável.

Não podemos deixar de considerar que, do ponto de vista probabilistico e face ao sucedido, da falha do SIRESP advieram consequências graves, eventualmente perda de vidas humanas, mas também temos que nos interrogar se esta rede, em pleno funcionamento, ofereceria as funcionalidades adequadas e compatíveis com as exigências dos dias de hoje, essenciais para um socorro eficaz, sem o que, um futuro investimento, tal como previsto, será um desperdício de recursos que deviam ser investidos numa solução mais moderna e fiável.

domingo, julho 23, 2017

Lisboa, cidade fechada - 32ª parte

Nem sequer se verificam tentativas de corrigir os erros, com as incongruências, que vão desde uma sinalética incompleta e absurda, por vezes contraditória e sem validade, seja pelo conflito entre sinais, seja pela sua não validação, patente na ausência de registo, com o abandono a ser patente num projecto que, presumivelmente, não estará acabado.

Enquanto um conjunto de obras em áreas circundantes continuam a decorrer de forma apressada, talvez para estarem concluídas, ou pelo menos em execução antes do início das eleições autárquicas que se avizinham, outras, com erros óbvios, permanecem sem alterações, sendo de presumir que, nestas condições, muito do que já foi realizado se irá degradar rapidamente, podendo aqui incluir-se os passeios, onde os veículos estacionam e, quando facilita as manobras, circulam, ou as infelizes pinturas no solo, que consubstanciam o experimentalismo de um projecto que, na opinião dos residentes, está mal concebido.

Exemplo de experiências de cujo sucesso duvidamos, é o que decorre na Rua do Arco do Cego, onde se prevê a introdução de um complexo sistema de circulação e a perda de uma via numa direcção, substituída por outra em sentido contrário e cujo desenho implica alterações numa rua adjacente, recentemente intervencionada e que, pelo absurdo da intervenção, será modificada escassas semanas depois das obras realizadas.

O insucesso a que diveras alterações estão votados, e o caso da Rua Filipa de Vilhena, onde alterações tiveram que ser corrigidas em poucas semanas, repondo o original e, naturalmente, perdendo parte do valor da intervenção, são tão óbvios para os residentes, como surpreendentes para quem projecta ou planeia soluções que, nitidamente, nada têm a ver com a realidade vivida no terreno.

sábado, julho 22, 2017

Land Rover Owners de Agosto de 2017 já nas bancas

Já se encontra nos locais de venda habituais a edição de Agosto de 2017 da Land Rover Owners International, com o destaque de cada a recair nos diversos melhoramentos a introduzir em veículos destinados a expedições, sendo listadas opções em capítulos tão diversos como a circulação em estrada e fora dela e em diversas situações e estilos de condução.

Um Discovery com motor V8 e dois turbos, o restauro de um Range Rover Classic, um Defender 110 reconstruido, modificado e devidadmente equipado para operações de socorro, vem demonstrar que mesmo os modelos mais antigos continuam a oferecer um desempenho notável e uma excelente adaptação às mais diversas situações, mesmo quando estas envolvem os riscos inerentes a uma missão de salvamento.

A descrição detalhada de uma expedição no "Vale da Morte", nos Estados Unidos, é particularmente interessante, querendo ainda chamar a atenção para os alertas nos trajectos em Portugal nos meses de Verão, durante os quais existem diversas restrições a que, após a tragédia de Pedrogão Grande, deve acrescer uma forte dose de prudência e bom senso.

Constam ainda deste número diversos artigos técnicos, entre os quais o melhoramento dos travões do ainda recente Evoque, a apresentação de novos produtos, sempre complementados pela publicidade temática que quase constitui um catálogo, bem como a apresentação ou descrição de um conjunto de eventos, resultando num conjunto equilibrado e capaz de proporcionar muitas horas de leitura sobretudo a quem estiver de férias.

sexta-feira, julho 21, 2017

Governo desresponsabiliza o SIRESP - 5ª parte

Temos, portanto, falhas cuja extensão está por detalhar, e cujas consequências dificilmente serão apuradas, que decorreram antes das mortes ocorrerem, sendo justo interrogarmo-nos quanto à ligação entre a indisponibilidade temporária do SIRESP e situações como o encaminhamento de automobilistas para a EN 236-1 ou a morte de um bombeiro na sequência de uma acidente rodoviário e da impossibilidade de resgate subsquente.

O reconhecido caos vivido nas primeiras horas do incêndio de Pedrogão Grande, com o avanço das chamas e a demora em equacionar correctamente todos os problemas e aspectos de uma ocorrência desta dimensão, bem como as falhas de coordenação verificadas, mesmo que havendo falhas de comando, poderão ter sido potenciados pela falta de informação ou pelo atraso da sua transmissão, dificultando a apreensão de uma visão de conjunto e o seu seguimento em tempo real pelos comandantes no terreno.

Num período crítico, mesmo a intermitência assume contornos da maior gravidade, bastando que tal implique sucessivas demoras, imobilizando recursos essenciais ou impossibilidade de coordenação no momento, perdendo oportunidades e acrescendo o risco suportado por todos quantos, mesmo que não envolvidos nas operações, estão presentes nas áreas atingidas, factos que apontam no sentido de responsabilizar efectivamente o SIRESP, mesmo quando possam surgir dificuldades em apontar factos concretos.

A entrada em modo local como consequência da interrupção da ligação por fibra óptica coloca o SIRESP, em termos da sua operacionalidade, num nível muito baixo, com vulnerabilidades ao nível de uma simples rede comercial, perdendo em termos de funcionalidades, com uma oferta de serviços incompatível com os dias de hoje e que cada um de nós recusaria na altura de fazer um contrato.

quinta-feira, julho 20, 2017

"Lei da rolha" chega aos bombeiros - 1ª parte

Era inevitável que a decisão da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) de mandar calar os comandantes distritais, remetendo toda a comunicação para a sede, gerasse mal estar e revolta, podendo, no limite, comprometer a segurança das populações, privadas dos avisos feitos localmente e divulgados pela imprensa presente.

Aparentemente, esta é a única alteração depois dos grandes incêndios e da tragédia de Pedrogão Grande e serve para evitar que declarações que colocam em causa recursos e o funcionamento de meios, como acontece com o SIRESP, tendo esta ordem a concordância da tutela que, efectivamente, a terá sancionado e manifesta agora a sua concordância.

Independentemente da origem e do facto de ser a ANPC a assumir a responsabilidade da ordem, o Governo nunca lhe será alheio, pela capacidade da tutela de a revogar, pelo que, em termos efectivos, esta é uma decisão governamental que, apesar de escudada atrás de outra entidade, tem que ser assumida como vindo do topo da hierarquia.

Naturalmente, o tipo de informação prestado na sede da ANPC por alguém que recebe relatórios e tenta fazer o seu resumo, é completamente diferente em detalhe e prontidão da que é prestada por quem está presente no teatro de operações, diminuindo em muito a sua valia e levantando sempre a questão do seu rigor face a uma possível filtragem de acordo com critérios desconhecidos.

quarta-feira, julho 19, 2017

Governo desresponsabiliza o SIRESP - 4ª parte

Das várias situações, indisponibilidade temporária, saturação e entrada em modo local, ocorridas em horas diferenciadas para as várias estações base afectadas, resultam distintas consequências, seja na condução da actividade operacional, do que pode decorrer o número de vítimas, seja na impossibilidade directa de adoptar medidas preventivas, situação das quais decorrem, igualmente, consequências que necessitam de ser devidamente analizadas.

Se a entrada das estações em modo local será posterior à ocorrência de mortes, e portanto estas não serão uma consequência desta falha, as dificuldades ou intermitência a nível das comunicações ocorre antes dos óbitos na EN 236-1, com a saturação a verificar-se na medida do aumento da mobilização de meios e interagindo com a inconstância verificada.

É normal que, quando existe intermitência, a insistência aumente, gerando maior tráfego, com estas solicitações constantes a gerar maiores dificuldades de acesso, numa espiral crescente que a premência da situação no teatro de operações justifica, demonstrando a fragilidade de um sistema incapaz de responder quando sob pressão.

Será este um dos problemas mais graves, com o sistema a ser incapaz de manter activas as comunicações necessárias num teatro de operações complexo mas, em caso algum, com contornos inéditos, seja em termos dos efectivos envolvidos, seja pela extensão ou configuração do terreno, seja por outras variáveis, as quais já se encontravam presentes noutras situações durante as quais se verificaram falhas que nunca foram corrigidas.

terça-feira, julho 18, 2017

O GPS Magellan 310

O Magellan modelo 310 é um receptor de GPS já antigo, com 12 canais de recepção, uma antena quadrifilar, a possibilidade de enviar dados em formato NMEA 0183 para um computador ligado via cabo série, de um modelo específico e que pode inclui ligação a tomada de isqueiro, que foi utilizado durante anos pelo exército britânico.

A memória interna permite alojar até 100 waypoints, ou pontos de passagem, 1 rota reversível com 10 etapas e um odometro de viagem, com os dados a serem visíveis num écran de 38 milímetros de largura, com uma capacidade gráfica reduzida, mas que permite ser iluminado para uma melhor leitura durante a noite.

A nossa experiência com este modelo, que tem dimensões de um telemóvel mais espesso que o costume, confirma que as suas capacidades em termos de aquisição de sinal e precisão já não estão de acordo com os padrões actuais, mas a operação revela-se muito simples e a fiabilidade, mesmo em condições adversas, foi sempre exemplar, sem nunca falhar ou perder o sinal.

Com dimensões de 157 x 53 x 33 milímetros, um peso de 110 gramas, o Magellan 310 é alimentado por duas pilhas AA, que garantem um periodo de operação particularmente longo, este é um modelo com muito poucas opções mas que tem uma resistência e durabilidade raras, o que pode justificar a perto de uma vintena de Euros necessários para adquirir uma unidade nova mas antiga proveniente de "stocks" militares.
Related Posts Widget for Blogs by LinkWithin