segunda-feira, junho 26, 2017

Uma tragédia previsível - 4ª parte

É manifesto, e nem necessita de ser cientificamente demonstrado, não obstante as inúmeras provas que a ciência pode fornecer, que o clima se tem vindo a alterar, tal como um conjunto de factores não apenas ambientais, mas também sócio-económicos que alteraram em muito os cenários nos quais os fogos se propagam de forma incontrolável, criando situações cada vez mais propícias para a ocorrência de tragédias.

Há muito que estavam criadas as condições para que esta tragédia ocorresse, sendo apenas impossível prever quando e onde, mas não as consequências, embora sem as quantificar no respeitante ao número de vítimas, pelo que existe uma responsabilidade objectiva que deve ser atribuída a todos quantos, por acção ou incúria, contribuiram para criar um cenário onde este seria o único enredo possível.

O País, desequilibrado e desestruturado, parcialmente desertificado, encontra-se particularmente vulnerável, sem perspectivas de melhoras, com a atenção dos governantes a concentrar-se nos grandes centros urbanos, enquanto o interior rural se encontra cada vez mais abandonado, à mercê do seu destino e de alguns cuidados paliativos que assumem contornos de caridade.

Sendo um problema estrutural, não serão medidas avulsas, meramente conjunturais, nem sequer planos um pouco mais elaborados, que poderão resolver as inúmeras implicações resultantes das assimetrias regionais e de uma manifesta falta de solidariedade nacional, que mina a coesão do País, pelo que se impõe repensar Portugal como um todo, de forma integrada e numa perspectiva de desenvolvimento integrado.

domingo, junho 25, 2017

Lisboa, cidade fechada - 30ª parte

Sem grandes resultados práticos, num auditório pleno de vozes críticas, técnicos da Câmara Municipal de Lisboa, sem acompanhamento de qualquer eleito, tentaram responder, de forma mais ou menos satisfatória, a numerosas questões sobre as obras realizadas no Bairro do Arco do Cego e que, cremos, ainda irão ser revistas.

Talvez a expressão "vocês deram cabo do nosso bairro", pronunciada logo no início da sessão, seja a que, de forma mais sucinta, exprime o que parece ser o sentimento colectivo dos presentes, para quem a reparação das vias e passeios degradados e a manutenção de equipamentos existentes, com a introdução do mínimo de modificações possível, seria o cenário mais adequado à realidade de um bairro com muitas especificidades.

E na verdade parece consensual que o bairro está hoje muito pior, em tudo menos a nível da qualidade de vias e passeios, com o experimentalismo camarário, numa ânsia de testar novas soluções num local onde o fracasso destas e a penosidade para os residentes tenha escassas consequências eleitorais, tem levado de um desaire a outro, com uma substancial degradação da qualidade de vida dos residentes, relativamente aos quais a Câmara manifesta uma completa indiferença.

Da reunião resultam poucas certezas, para além do consenso dos moradores e da incapacidade da autarquia em dar explicações aceitáveis ou a assumir responsabilidades pelo desaire, num misto de indiferença e arrogância, patente na afirmação dos técnicos que dizem ser eles os especialistas, pelo que o que os moradores vivem e sentem, manifestamente, está errado, sem dúvida proveniente de alguma realidade alternativa.

sábado, junho 24, 2017

Período crítico de incêndios começou a 22 de Junho

Foi publicada no Diário da República n.º 119/2017, Série I de 2017-06-22, a Portaria n.º 195/2017 do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, que estabelece que, no ano de 2017, o período crítico no âmbito do Sistema de Defesa da Floresta contra Incêndios, vigora de 22 de Junho a 30 de Setembro.

Este decreto, cuja publicação se esperava, mesmo entre as entidades ou instituições cuja actuação é regulada por este decreto, foi apenas publicado após os incêndios que vitimaram pelo menos 64 pessoas na zona de Pedrogão Grande, numa tentativa de mobilizar meios que, de outra forma, apenas estariam disponíveis a partir de 01 de Julho, data habitual para o início deste período.

É de notar que há câmaras municipais que, no âmbito das suas competências, implementaram medidas restritivas a partir de 01 de Junho, proibindo um conjunto de actividades e a possibilidade de circular em zonas florestais, pelo que, antes de praticar acções em zonas florestais, devem ser consultadas as autoridades locais, para além das forças de segurança.

Para além destas questões legais, será sempre de estar vigilante e atento, ser prudente, evitando riscos, e contactanto as autoridades sempre que surjam dúvidas ou questões que possam colocar em risco o próprio ou terceiros, procurando obter informações e orientações que facilitem uma decisão acertada em caso de perigo.

sexta-feira, junho 23, 2017

Uma tragédia previsível - 3ª parte

Caso a implementação destas faixas seja inviável, pelo menos terão que existir zonas seguras, concretamente locais onde exista algum tipo de protecção, que podem ser pontos em redor dos quais não exista vegetação próxima e com abastecimento de água, com ou sem algum tipo de abrigo simplificado, onde os utentes da via se possam abrigar, com a segurança possível, em caso de fogos.

Em caso de fogo, seria possível obter algum tipo de segurança, bem como concentrar os utentes da via, que seguiriam um conjunto de sinais orientadores, semelhantes aos que avisam da existência de postos de combustíveis, para um local onde, pela sua amplitude, seria mais fácil proceder à sua evacuação.

A sinalização, incluindo a possibilidade de instalar sistemas com accionamento remoto, destinados a avisar os utentes das vias de perigos e, inclusivé, interditar a circulação, embora envolvendo alguma complexidade e um custo elevado, deve igualmente ser considerada, mesmo que de forma transitória e deslocando os equipamentos para os locais mais críticos, nomeadamente aqueles em que não existam faixas de segurança.

Também não podemos deixar de referir que, apesar da prioridade de investimentos ser na área do combate e não na prevenção, o facto é que neste tipo de cenário nunca existirão meios suficientes, sobretudo fora da chamada "época crítica", quando o dispositivo ainda não se encontra na sua máxima força, mas durante o qual podem ocorrer fogos de grandes dimensões, como o de Castanheira de Pera

quinta-feira, junho 22, 2017

Land Rover Owners de Julho de 2017 já nas bancas

Comemorando o trigésimo aniversário da publicação, já se encontra nos locais de venda habituais a edição de Julho de 2017 da Land Rover Owners International, com o destaque de capa a ir, naturalmente, para tudo o que mudou ao longo destes 30 anos no universo da Land Rover e na forma como o público e os adeptos da marca foram vivendo essa evolução.

Este número tem um forte componente comemorativo, com o reviver de modelos, percursos, técnicas e truques, assinalando alguns dos marcos principais da marca e a forma como foram relatados pela revista, estando presentes alguns dos modelos mais icónicos ou originais da marca, assinalando cada ano de publicação da revista.

O Range Rover do nosso compatriota Luís Lobo, um autêntico "monstro", um conjunto de dicas ou pistas acerca do campismo, alguns veículos convertidos ou personalizados, a preparação dos veículos para o período de férias e grandes viagens que agora se aproxima ou testes de novos modelos são igualmente de ler com atenção.

Estão, ainda, presentes diversos artigos técnicos, entre estes a troca de uma embraiagem num Discovery 2, diversas expedições, em Inglaterra e no estrangeiro, bem como a apresentação de numerosos novos produtos, complementados pela extensa publicidade temática, resultando numa edição particularmente interessante, sobretudo para aqueles que acompanham a marca há um maior número de anos, e que poderão relembrar alguns dos seus marcos mais relevantes.

quarta-feira, junho 21, 2017

Uma tragédia previsível - 2ª parte

Muitas estradas, como a Nacional 236, perto do IP8, encontram-se cercado de árvores, entre estas eucaliptos e pinheiros, que chegam junto da via, por vezes com as copas a unirem-se, sem faixas de segurança, onde o mato e outros combustíveis que jazem no solo permitem uma propagação rápida das chamas e a impossibilidade de fugir quando a escassa visibilidade, o pânico e a falta de discernimento impedem que seja feita uma análise mais correcta da situação.

Num dia particularmente quente, com trovoadas secas e ventos cruzados, numa zona onde a vegetação obstroi a visibilidade, quando coberta de fumos é quase inevitável que surja a impossibilidade de circular, tornando-se muito rapidamente impossível de respirar, sendo quase inevitável que a tendência será imobilizar-se e, quase certamente, não ter a possibilidade de alcançar um local seguro.

Neste cenário, a possibilidade de uma tragédia suceder é elevada, caso ocorram as condições que o propiciem, tal como sucedeu no dia 17, e, ocorrendo, que as consequências sejam as que se verificaram neste caso, sendo certo que de o mesmo pode suceder em inúmeros locais espalhados pelo País, onde esta situação pode ser facilmente replicada.

A inexistência de faixas de segurança ao longo das vias, que, naturalmente tem um efeito negativo no conforto, mas que torna muito mais segura a circulação, é essencial, tal como o é em redor de habitações, onde a lei impõe zonas de protecção e estabelece sanções, sendo necessário proceder à sua implementação urgente.

terça-feira, junho 20, 2017

Incêndio no túnel do Marão - 3ª parte

No caso desta ocorrência, diversos equipamentos foram destruídos, pelo que a monitorização remota ficou inoperacional na zona atingida, e a falta de presença de operadores no local impossibilita a obtenção de informações que permitam gerir de forma adequada uma situação de emergência que, num local confinado, pode ter consequência particularmente graves.

Por outro lado, as portas que permitem passar de uma galeria para a outra tem que ser accionada manualmente, em coordenação com a gestão de tráfego e, supostamente, com quem está envolvido no socorro, o que implica uma deslocação rápida ao local onde se encontram os locais de passagem entre os túneis, bem como o aviso sonoro que informe quem está no interior dos procedimentos a adoptar.

Naturalmente, quem se deslocar ao interior de um túnel numa situação de incêndio, ou acidente, terá que estar preparado e equipado, não sendo incumbência de um operador de sistemas, mas a presença no local de uma equipa multidisciplinar, com múltiplas valências, com elementos com múltiplas funções atribuídas, tem inegáveis vantagens.

Sem este tipo de acompanhamento, a possibilidade de pânico é real e as acções impensadas, que podem ter consequências graves, são prováveis, adicionando um factor de imprevisibilidade e de perigo, podendo-se imaginar desde inversões de marcha até deslocações a pé em vias enfumaradas, nas quais a visibilidade é diminuta e a desorientação tende a aumentar.

segunda-feira, junho 19, 2017

Uma tragédia previsível - 1ª parte

A tragédia agora associada a Pedrogão Grande, com 62 vítimas mortais, muitas das quais apanhados dentro de viaturas presas numa via de circulação, constitui o mais elevado número de mortes num único dia como consequência dos incêndios florestais dos últimos anos, e, sem dúvida, deixará marcas no País.

A estas vítimas mortais, acrescem dezenas de feridos, alguns destes em estado grave e com prognóstico reservado, para além de um extenso conjunto de perdas a nível de bens materiais, incluindo um precioso património natural que demorará anos a ser reposto, caso haja vontade para o fazer, aumentando assim a dimensão da tragédia.

As primeiras palavras são, inevitavelmente, para lamentar o sucedido e enviar os pêsames a todos quantos perderam entes queridos, mas também a todos quantos foram afectados, sendo certo de que o efeito para quem participou nas operações e se apercebeu deste conjunto de vítimas, estará igualmente em sofrimento e necessita de acompanhamento.

O inquérito determinará o que efectivamente sucedeu, se as opções foram as correctas ou se os meios eram os adequados, mas a forma como dezenas de vítimas perderam a vida dentro de veículos, a que acrescem 3 intoxicadas, numa estrada nacional, justica ser analisada separadamente, por esta via se ter constituido numa armadilha mortal.

domingo, junho 18, 2017

Tomadas de isqueiro em residências - 2ª parte

Passando de um valor de 5 para quase 10 Euros, pode-se adquirir um modelo mais sofisticado, muito semelhante ao sistema de alimentação de um computador portátil, mas que fornece 5A a 12V e pode alimentar um largo conjunto de equipamentos, com consumos semelhantes aos de computadores portáteis, mas que fica aquém dos 10A da maioria das tomadas de isqueiros instaladas em veículos.

Existem alguns modelos de 5A bastante compactos, fáceis de colocar numa tomada de parede, sem cabos exteriores, o que pode reduzir um pouco o preço, mas, pela falta de cabos, também pode tornar a utilização um pouco menos cómoda e flexível, constituindo uma opção que tem, como principal vantagem, a facilidade de transporte.

Para quem pretenda utilizar um compressor, por exemplo, são requeridos 10A, sendo que os modelos compatíveis, igualmente muito semelhantes, exteriormente, ao transformador de um portátil, já são um pouco mais raros, podendo ser encontrados no EBay por valores que variam entre os 12 e os 15 Euros, incluindo portes.

Existem numerosas opções, incluindo modelos intermédios de 7.5 e 8A, sendo que muitas vezes a melhor opção tem tomada que não é do formato europeu, obrigando a adquirir um conversor, o que, encarecendo a ligeiramente a solução, pode continuar a justificar a sua aquisição, dada a diferença de preços existente no mercado e que ultrapassa em muito o valor insignificante da peça para converter o formato do conector.

sábado, junho 17, 2017

Lisboa, cidade fechada - 29ª parte

Com o aparecimento de linhas vermelhas e amarelas ao longo dos passeios, sendo que nalguns casos as primeiras são quebradas, ou em "zigzag", surge a natural tentação de verificar se correspondem a alguma sinalética presente no Código da Estrada, sem o que, face a incompetência das autarquias no respeitante a estabelecer novos sinais, tais pinturas resultam inconsequêntes e, no limite, ilegais.

Se a linha amarela implica a proibição de estacionar, a vermelha é inexistente, tal como a conjugação das duas, pelo que, dependendo da interpretação, que pode considerar as duas linhas como uma única sinalética, o conjunto resulta nulo, com a perda de significado da própria linha amarela, por absorvida num conjunto sem valor legal.

Lembramos que se vai realizar uma reunião para abordar os problemas do bairro, a ter lugar na Junta de Freguesia do Areeiro, no dia 19, pelas 18:30, portanto num horário pouco convidativo, ou impossível para muitos, e na sequência de um processo de divulgação tardio, dada por parte das entidades oficiais, apenas na tarde de Sábado surgiram prospectos nos parabrisas de alguns veículos estacionados no bairro, colocados por movimentos de cidadãos, numa altura em que diversos moradores estão fora devido ao fim de semana.

Naturalmente que, quem puder, terá todo o interesse em estar presente, sendo esta uma das poucas oportunidades de expor um conjunto de situações lamentáveis e para as quais as respostas oficiais são virtualmente nulas, na medida em que não resolvem os problemas sucessivamente expostos que, efectivamente, parecem agravar-se a cada alteração.
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